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Review Eminence Cannabis Rex (parte 2) - Cozinhando Ions #14

11 de nov. de 2018
4 min de leitura

Salve meus queridos!

Para você que já se identificou com o tal estilo "laid-back" tranquilão desse simpático auto-falante, chegou a hora de analisar de maneira mais técnica as curvas de resposta em frequência e entender por a+b qual é a pegada desse menino.

Antes de começar a nossa análise, eu tenho que agradecer a Mult Comercial por conceder esse falante para que nós aqui da Ions, para que assim possamos trazer todas essas boas informações para você que está afim de alimentar seu ampli com auto-falantes de qualidade.

Link para acesso ao auto-falante no site da Mult Comercial:

https://loja.multcomercial.com.br/falante-eminence-cannabis-rex-patriot-guitar-series-12-polegadas-8-ohms-1.html

Se você é novo aqui na cozinha e não faz ideia do que é um datasheet de um auto-falante, assim como, porque raios a gente faz essa análise, pare um pouquinho essa leitura, acesse esse link (análise técnica do Jensen C12N) e entre para o time

https://www.ionsamplifiers.com.br/single-post/2018/10/22/Review-Jensen-C12N-parte-2---Cozinhando-Ions-12

Devidamente armados, partiu entender um pouco mais do menino Cannabis Rex.

Por motivos didáticos, vou usar nesse texto, usarei duas curvas de resposta em frequência para que a gente possa avaliar diferenças entre as curvas e ver como isso muda nossa experiência no uso efetivo do equipamento.

Esse é o gráfico de resposta do falante Jensen C12N.

Esse é o gráfico de resposta do falante Eminence Cannabis Rex.

Olhe atenciosamente para os dois gráficos e veja a semelhança dos mesmos... o que de fato acontece para que cada um deles tenha a sua própria identidade e garantia de um tempero tão único?

Comecemos reparando que no gráfico do C12N temos um belo embarrigamento ali na faixa média do gráfico (lembra do afrouxamento de graves e recuperação em médios-agudos?). Então, com o Cannabis a brincadeira começa a ficar diferente ai.

Com um pouco de imaginação você é capaz de traçar uma linha reta de 100Hz à 1KHz!

O que isso significa? O C12N tempera mais o timbre, aplicando atenuações e elevações de nível sonoro, enquanto o Cannabis Rex leva tudo mais ou menos na mesma leva. Isso traz uma maior transparência para o instrumento e conjunto, porque agora quem rege o timbre é o instrumento e não tanto o elemento de reprodução saca?

Até aqui você pode trazer um pitaco: É dai que vem aquele negócio que eu cansei de citar no último texto... o projeto é laid-back style, ou seja, tranquilão, respeitoso com o timbre do conjunto.

O bom nível de pressão sonora desse projeto, indica que ele nasceu pra aguentar porrada e devolver ela com gosto, o que explica a tranquilidade e conforto que esse auto-falante tem para processar frequências graves.

Repare também nas variações da curva de pressão, parece que tudo foi desenhado com um pincel, gerando traços delicados e contínuos, diferentemente do C12N que tem curvas com quinas.

Esse detalhe pode trazer outro pitaco: O Cannabis Rex é um projeto que joga no time do "smooth tone", ou seja, ele vem macio e na calma processando as frequências.

A real mesmo é que o Cannabis Rex transforma o seu ampli numa vitrola... o timbre vem com graves gordinhos e meio sedimentados, enquanto os médios e agudos não entram rasgando, eles estão lá e vem com pressão, mas não incomodam. Parece que tem um compressor ali regulando tudinho.

Para finalizar: Uma das características fortes da Eminence é a "força" a pressão que seus projetos trazem para o som. E isso fica claro, ao você ver aonde andam as curvas de resposta do falante em relação ao nível sonoro. Tudo vem com boa pressão, apesar do menino ser desenhado para apenas 50W.

Coisas que você pode pensar:

1. Mas o nível sonoro médio de agudos do Cannabis é maior que o do C12N, e mesmo assim eu reparo mais nos agudos do C12N, como?

Aqui entra uma questão de referência: No Cannabis Rex temos um projeto mais equilibrado e bem balanceado em relação ao todo, então nada entra de maneira muito explícita. No caso do C12N temos cortes mais profundos e colocados... o tempero do auto falante acentua determinadas sensações em detrimento de outras.

No final das contas, tudo vira gosto pessoal, tem gente que gosta da salada com altos temperos, e tem gente que se contenta com sal e azeite.

2. Qual é o melhor na sua opinião?

Aqui eu vou desviar com classe. C12N vence em muitas situações de estúdio, para gravações com timbre bem vintage e guitarras bem gordas.

O Cannabis Rex se tornou pra gente um pau pra toda obra, ele é ótimo para combinações híbridas (caixa 2x12 com auto falantes diferentes e complementares), principalmente por conta de seus graves, e funcionou muito bem em combinações 2x12 vertical para amp de retorno de palco (por conta de sua boa pressão sonora).

Minha dica sincera, se puder, tenha os dois meninos analisados até aqui, porque ambos tem seus pontos fortes, e timbre é um negócio complexo, onde a opção muitas vezes trás a solução.

Conclusões da cozinha

A avaliação da curva de pressão de um falante pelo seu datasheet serve para que criemos alguns preceitos sobre o projeto, mas não explica o timbre na sua plenitude, tanto porque isso vem de outros fatores técnicos da construção do mesmo.

Mas, saber o que significa uma curva de pressão e como interpreta-la para te ajudar na escolha do seu falante é uma ferramenta a mais para fazer a compra ideal, ou já chegar na loja com os meninos certos para o teste.

Na próxima visita a nossa cozinha de timbres, vamos bater de frente com um monstro sagrado do rock!

Se preparem para relembrar aquele timbrão a la 007... Chegou a hora do P12R da Jensen entrar nos nossos testes!

Quem sou eu: Guilherme Farias, engenheiro elétrico, audiófilo e desenvolvedor de projetos na Ions Amplifiers e Mr Cut Custom Handmades.

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